Viver na UE – O que nos distingue dos restantes Estados-Membros

Dezembro 14, 2020
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A radiografia do sector da habitação foi feita pelo Eurostat  e publicada no Housing in Europe – Statistics visualised (2020 edition), um novo estudo que apresenta os números mais recentes sobre os diferentes aspetos da habitação em cada estado-membro. De salientar que os dados desta publicação mostram os resultados anuais até 2019 e, portanto, não refletem o impacto da crise da Covid-19. O que nos distingue dos restantes Estados-Membros? Comecemos então a analisar ponto por ponto:

1. Vivemos mais em moradias ou apartamentos?

Pouco mais de metade da população da UE vive numa moradia

Viver numa moradia ou num apartamento difere entre os Estados-membros e depende se se vive numa cidade ou no campo. Em 2019, 53% da população vivia numa moradia, enquanto 46% vivia em apartamento. Em Portugal, mais de metade vive numa moradia (54,4%), e 45,5% num apartamento. A Irlanda (92%) registou a maior parcela da população que vive numa moradia, seguida pela Croácia e Bélgica (ambas 78%) e os Países Baixos (75%). Deve-se notar que isso inclui casas geminadas. As casas são mais comuns em dois terços dos estados-membros. As quotas mais altas de apartamentos foram observadas na Letónia (66%), Espanha (65%), Estónia (61%) e Grécia (59%). Nas cidades, 72% da população da UE vivia em apartamento e 28% numa moradia. Para as cidades e subúrbios, as proporções eram 58% e 42% respetivamente, enquanto para as áreas rurais, 82% da população vivia numa moradia e apenas 18% em apartamento.

2. Vivemos em casa própria ou arrendada?

Mais de dois terços da população da UE possuem casa própria

Ser proprietário ou inquilino da casa onde se vive é algo que difere significativamente entre os estados-membros. Na UE, em 2019, 70% da população vivia em agregados familiares com casa própria, enquanto os restantes 30% viviam em casa arrendada. Onde é que há mais proprietários? Na Roménia (96% da população tinha casa própria), Hungria (92%) e Eslováquia (91%).Em todos os Estados-membros, ser dono é o mais comum. No entanto, na Alemanha, o arrendamento é quase igual, com 49% da população a ser inquilina. Seguem-se Áustria (45%) e Dinamarca (39%). Em Portugal, 73,9% da população tem casa própria, enquanto 26,1% é inquilina.

3. Tamanho da casa

Em média, 1,6 quartos por pessoa

O tamanho da habitação pode ser medido com o número médio de quartos por pessoa: havia em média 1,6 quartos por pessoa na UE em 2019. Entre os Estados-membros, o maior número foi registado em Malta (2,2 quartos por pessoa), seguido pela Bélgica e Irlanda (ambos 2,1 quartos). No outro extremo da escala estavam Croácia, Polónia e Romênia, todos com 1,1 quartos em média por pessoa. Em Portugal são 1,7 quartos, em média.

  • … e 2,3 pessoas por família na UE

Um outro indicador relacionado é o número de pessoas por domicílio. Havia em média 2,3 pessoas por família na UE em 2019. Entre os estados-membros, este número variava entre 2,9 pessoas na Eslováquia, 2,8 na Polónia e 2,7 no Chipre e Croácia, até 2 pessoas na Alemanha, Dinamarca, Finlândia e Suécia. Em Portugal são 2,5 pessoas por família, em média.

4. Qualidade da habitação

A qualidade da habitação pode ser medida de várias maneiras. Uma é se as pessoas vivem numa casa superlotada. Na UE em 2019, 17,2% da população vivia assim. As taxas de sobrelotação mais elevadas foram observadas na Roménia (45,8%), Letónia (42,2%) e Bulgária (41,1%), e as mais baixas no Chipre (2,2%), Irlanda (3,2%) e Malta (3,7%). O oposto de uma casa superlotada é uma casa subocupada, o que significa que é considerada grande demais para as necessidades da família que nela vive, tal como explica o Eurostat. A causa clássica da subocupação são as pessoas mais velhas ou casais que permanecem nas suas casas depois dos filhos crescerem e saírem de casa. Na UE em 2019, um terço da população (33%) vivia em lares subocupados, uma percentagem que tem se mantido quase estável desde 2010. No ano passado, as maiores proporções de casas subocupadas foram registadas em Malta (72,6%), Chipre (70,5%) e Irlanda (69,6%), e as menores na Roménia (7,7%), Letónia (9,6%) e Grécia ( 10,7%).

  • Cerca de 13% da população da UE vive numa casa com problemas de infiltrações

Não é apenas o número de pessoas que mora numa casa que impacta a qualidade de vida, mas também a qualidade da moradia, como a capacidade de manter a casa aquecida, a falta de casas de banho ou problemas de infiltrações. Na UE em 2019, 6,9% da população não tinha como manter a casa adequadamente aquecida. As percentagens mais elevadas foram observadas na Bulgária (30,1%), Lituânia (26,7%), Chipre (21,0%) e Portugal (18,9%), e as mais baixas na Áustria e Finlândia (ambos 1,8%) e Suécia (1,9%). Em média, na UE, 1,6% da população não tinha casa de banho, duche ou banheira. Um cenário mais comum na Roménia (22,4% da população), seguida pela Lituânia (8,7%), Letónia (7,7%) e Bulgária (7,5%). Em relação às infiltrações, 12,7% da população da UE teve esse problema. As percentagens mais elevadas foram observadas no Chipre (31,1%), Portugal (24,4%) e Hungria (22,3%).

5. Evolução dos preços das casas e das rendas

Os preços das casas aumentaram 19% na UE entre 2010 e 2019

Olhando para a evolução dos preços das casas entre 2010 e 2019, regista-se uma tendência ascendente constante desde 2013, com aumentos particularmente grandes entre 2015 e 2019. No total, houve um aumento de 19% entre 2010 e 2019. Houve subidas em 23 estados-membros e diminuições em três (dados não disponíveis para a Grécia) durante este período. Os maiores aumentos foram observados na Estónia (+96%), Hungria (+82%), Letónia (+75%), Luxemburgo e Áustria (ambos +65%), enquanto as reduções foram registadas na Itália (-17%), Espanha (-7%) e Chipre (-4%). Em Portugal os preços subiram cerca de 31%.

  • Rendas subiram 13%

Registou-se um aumento constante das rendas na UE entre 2010 e 2019 – no total 13% durante todo o período. Observou-se um aumento em 25 Estados-membros e uma diminuição em dois. As maiores subidas aconteceram na Estónia (+156%), Lituânia (+101%) e Irlanda (+63%), enquanto as diminuições foram vistas na Grécia (-25%) e Chipre (-7%). Em Portugal, as rendas aumentaram 19%.

6. Custos da habitação

Os custos da habitação (incluindo água, eletricidade, gás e outros combustíveis) em comparação com a média da UE, variam significativamente entre os Estados-membros. Os custos de habitação mais elevados em 2019 em comparação com a média da UE foram observados na Irlanda (77% acima da média da UE), Luxemburgo (70% acima), Dinamarca (63% acima) e Finlândia (42% acima). Os mais baixos, por outro lado, foram observados na Bulgária (64% abaixo da média da UE), Polónia (60% abaixo) e Roménia (57% abaixo). Em Portugal, os custos situaram-se cerca de 18% abaixo da média da UE. Olhando para a evolução entre 2010 e 2019, os custos da habitação em comparação com a média da UE aumentaram em 17 estados-membros e diminuíram em 10. Os maiores aumentos foram observados na Irlanda (de 17% acima para 77% acima da média da UE), Eslováquia (de 44% abaixo para 23% abaixo) e na Holanda (de 22% acima para 37% acima). As maiores quedas na Grécia (de 8% abaixo para 35% abaixo da média da UE) e Chipre (de 8% abaixo para 25% abaixo).

7. Custos de construção

Aumentaram 15% entre 2010 e 2019

custo de construção de novas casas na UE também aumentou durante o período de 2010 a 2019, especialmente desde 2016. O aumento durante todo o período foi de 15%. Entre os Estados-membros, os maiores aumentos foram observados na Hungria (+47%), Roménia (+46%), Letónia e Lituânia (ambos +36%). A Grécia foi o único Estado-Membro a registar uma diminuição (-7%). Em Portugal os custos de construção subiram 14%.

8. Despesas com a habitação

Taxa de sobrecarga é maior nas cidades

Com o aumento dos preços das casas e das rendas, o custo de uma casa “pode ser um fardo”, nas palavras do Eurostat. Na UE em 2019, 11,8% da população das cidades vivia sobrecarregada com os custos da habitação, enquanto a taxa correspondente para as zonas rurais era de 7%. A sobrecarga com habitação foi mais elevada nas cidades do que nas zonas rurais em todos os Estados-membros, exceto na Bulgária, Roménia, Croácia, Letónia e Lituânia. As maiores taxas de sobrecarga das despesas com habitação nas cidades foram observadas na Grécia (40,7%), Dinamarca (21,1%) e Alemanha (16,2%), enquanto nas áreas rurais ocorreram na Grécia (28,3%), Bulgária (18,5%) e Alemanha (2,4%).

  • Um quinto do rendimento disponível é dedicado à habitação

Em média, na UE em 2019, 20% do rendimento disponível das famílias era dedicado a despesas com habitação. Este valor diferiu entre os Estados-membros, com as percentagens mais elevadas na Grécia (38,9%), Dinamarca (27,1%), Alemanha (25,9%) e Bulgária (24,8%). Se olharmos para as pessoas com um rendimento disponível inferior a 60% do rendimento mediano nacional, que podem ser consideradas em risco de pobreza, a percentagem da habitação no rendimento disponível subiu para 39,3% em média na UE. Por outro lado, para quem tinha um rendimento disponível superior a 60% do rendimento mediano, a percentagem era de 16,3%.

  • Menos famílias com atrasos nos créditos, rendas e contas

Atrasos no pagamento dos empréstimos, rendas ou contas de serviços públicos são outra indicação de que os custos de habitação podem ser muito altos. Apesar de os preços da habitação e rendas terem aumentado durante o período de 2010 a 2019, a percentagem de famílias com atrasos nas hipotecas, rendas ou contas de serviços públicos na UE diminuiu de 12,4% em 2010 para 8,2% em 2019. As percentagens diminuíram em todos os Estados-membros, exceto Grécia, Dinamarca e Finlândia. Em 2019, as maiores proporções foram observadas na Grécia (41,4% das famílias), Bulgária (29,3%) e Chipre (17,6%) e as menores na República Checa (2,8%), Alemanha (3,7%) e Holanda (4,0%) .

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